Esta semana tem um gosto diferente, será a Copa? Ou algum alinhamento astrológico do qual não fui informada? Eu estou até agora, plena quinta-feira, sem saber se estou indo se estou voltando.
Eu ando muito ausente de rede social – bom, não totalmente, o scroll continua – mas eu já tenho uma estrutura que estou sempre criando mas não comparecendo muito. Se olharem à sua janela, verão minha frustração daí.
Esta sensação das coisas paradas me consomem. Sobretudo quando eu sei que só depende de mim. Ênfase no só.
Mas na semana passada algo me tirou 1,5 tonelada dos ombros. Eu estou terminando o curso do querido MCT, Música, Copyright e Tecnologia. E que experiência, meu amor! To estudando Direito autoral e contratual, receitas, IA, e tendo uma visão de mercado que eu achava que precisaria de muito arroz e feijão com farofa de banana pra ter. Três meses que mudaram a minha vida! E se fosse pouco, o estande levado pela querida Guta ao Rio2C levou The Angel na trilha de seu vídeo promocional, com esta que voz fala dando depoimento e tudo! Nem sei se tenho roupa para isso, ô! Olha que gracinha!
E esse hit do verão?!
E olha que nem foi isso que me aliviou a dor no pescoço. Eu vi o pitching de uma edição passada e num deles, a aluna falou da experiência de ter criado sua própria editora, e disse sobre o momento de juntar o conhecimento necessário para dar esses passos. E que é algo que leva tempo, é complicado, e que parece preguiça. C h o r e i. Devagarzinho assim.
Eu ando num momento delicado. 2025 foi um ano de porradas. Falecimentos, decepções múltiplas e variadas, situações bizarras e – já que eu posso sempre contar com a minha vizinhança para manter sua coerência – obra.
E eu tenho uma visão dentro de mim que quero muito achar caminho pra colocar no mundo. E todo o dia eu me faço a mesma pergunta: afinal, o que é você, Eudoxia? É tão difícil explicar, e nem quero fazer isto agora, em algum outro momento, eu prometo. Mas é uma visão grande, ampla, que consolide todas as facetas que eu tenho como artista. Logicamente então, nem de longe eu estou caminhando no ritmo que quero. E aí eu faço duas coisas: perco tempo no Tik Tok e me culpo. Nem é tão divertido assim.
Curioso que quando saiu este peso dos ombros, o scroll caiu drasticamente. E automaticamente eu passei para um estado físico-mental de tentar viver o mundo sem esta lente incrível e gigantesca que diz que to fazendo tudo errado. Sabe aqueles primeiros passos quando você levanta da cama do quiroprata?
Eu ainda me cobro de não estar me fazendo tão presente aqui nas redes. Mas diante desta leveza toda, eu to deixando o corpo achar este caminho, sabe? Ainda mais quando eu ainda to me pergunta quem é afinal esta mulher. Mas então hoje, ruminando minha irritação com os homens trabalhando, eu estiquei a mão na estante e puxei Ai WeiWei Speaks with Hans Ulrich Obrist.
Já ouviu falar do Ai WeiWei? É o tipo de cara que eu quero ser quando crescer. Artista chinês, designer, arquiteto, curador, poeta, blogueiro e editor. Viu? Leu? O cara é blogger! Aliás teve um blog super visitado que virou até livro. (Sim, já estou atrás de uma edição. )
Isso virou a minha cabeça, e eu mal tinha chegado na página 5. Lembrei de quanto já escrevi em blog. Tive um do qual eu gostei muito, e me gerou histórias bem legais até. Não, não foi pop, mas era meu e eu gostava. Fiz durante muitos anos e parei. Fui perdendo o tesão porque tive um ex, daqueles que mereciam processo e medida protetiva, que mesmo depois de nós terminados, ele gostava de ficar acompanhando a minha vida e espalhando calúnia por aí. Deve ser uma merda ser meu ex. Eu aqui vivendo a minha vida e ele lá sem cabelo, mesmo depois de toda a finasterida que tomou. Quem sabe, sabe.
E lembrar disso é tentar recuperar um fio que se partiu lá atrás. E entender que Arte é feita na resistência, assim como todo o resto na vida de uma mulher.
E que eu ficar insistindo na mesma pergunta talvez seja só eu falhando em enxergar todas as opções que há diante de mim para criar, dar fluxo e rumo à toda esta criatividade que sinto gritando nos meus ouvidos todos os dias. Negócio é botar os dedos para trabalhar. E fora das redes sociais, eles funcionam muito melhor!
Ah, updates. O Corpo Feminino ainda está em progresso, mas lógico que não linear. Já esbocei algumas passadas lá do final, mas a parte 2 ainda não. E também estou trabalhando nas minhas fotografias. Vai que você compra uma cópia no futuro, hein? Vai poder dizer que leu sobre isso quando tudo era só mato.
Agora tá dando hora da aula e eu ainda preciso comer. Beijos.