Cheguei a São Paulo com a intenção de escrever este texto na segunda-feira. Não aconteceu. Desde então, os dias foram ocupados por ensaios, aulas, visitas técnicas e por aquele tipo de trabalho que a gente costuma deixar para depois — até perceber que virou uma montanha.
Conciliar as funções de cantora, produtora, tesoureira, professora de canto e social media faz parte do processo de colocar um show em pé. Especialmente quando o objetivo não é apenas “executar” um repertório, mas entregar uma experiência ao vivo real.
É disso que este texto fala: da diferença fundamental entre ensaio e performance.
O ensaio é o lugar da organização.
É onde a gente erra, repete, desmonta e monta de novo.
Onde a técnica é lapidada e as decisões são tomadas com cuidado.
Mas o palco não aceita apenas correção.
No palco, fazer exatamente o que foi ensaiado é pouco.
A performance precisa ir além do que está gravado. Precisa ser maior, mais viva, mais arriscada.
A gravação é um registro.
O show é uma experiência.
Uma foto do topo da montanha nunca terá o mesmo valor que a subida — o vento, o esforço, a paisagem se abrindo aos poucos. O palco nos dá asas. E, quando isso acontece, a única escolha possível é voar.
O palco transforma a música
Existe algo que só acontece ao vivo.
A música se aquece na chama da performance. O corpo interfere no som. O público interfere no tempo. A energia altera as decisões.
Por isso, o ensaio serve para que, no palco, possamos esquecer o ensaio.
Para que a técnica vire instinto.
Para que o controle vire liberdade.
Essa é a lógica que guia todo o trabalho por trás de The Shadow Works ao vivo.
Estou extremamente feliz com os músicos que vão dividir o palco comigo neste show. Com exceção do baixo, estarei acompanhada pelos mesmos músicos que gravaram The Shadow Works.
O Ronaldo, que também é arranjador, não pôde abraçar este projeto ao vivo por conta da agenda intensa que teve este ano com o Gustavo Lima. No lugar dele, teremos Daniel Rizzo, que chega com força total para esse momento.
Seguimos com Geison Costa na bateria e Gus Soularis nas guitarras — produtor do EP e coautor de “The Chest”. Gus é um irmão de vida e de música; sem ele, este show simplesmente não aconteceria.
Sinto que essa nova fase da minha carreira precisava exatamente desse início:
Eudoxia no palco, com The Shadow Works transformado pela experiência ao vivo.
Onde o registro termina, o show começa
Até o dia da apresentação, o foco é um só: polir o repertório para que, no palco, ele possa se expandir.
Ensaiar não para repetir — mas para transcender.
Se você puder estar presente, será um prazer dividir essa experiência.
E, se não puder, talvez possa recomendar o show para alguém que você sabe que vai gostar.
Porque algumas coisas simplesmente precisam ser vividas ao vivo.
Vou lá que ainda tem muita coisa a fazer!