Vocês também sofrem com isso? Não conhece? É fácil de entender; quando você chama, ele não vem, quando ele vem, você não chamou, esfrega o rabo na sua cara, aí ele some 3 dias, fica vagabundiando pela rua, você até ouve o miado dele, mas só de longe. Às vezes parece que a maior fonte de surpresas na minha vida é o meu sono. Eu deveria ser mais empolgante para uma rockstar, tenho a sensação. Mas eu estou escrevendo em um blog em 2026, da mesma maneira que escrevi uns 20 anos atrás, sem saber no que as coisas vão dar.
Nos últimos dias, eu fiquei semi-inútil pela casa, aqueles golpes que a endometriose me dá. E olha que já estou melhorando. Diante do que já passou, tô muito melhor. E isto me dá perspectiva do quanto andei mal de saúde nos últimos anos, e a medida em que eu me cobrava. E mesmo com a bateria comprometida, eu olho para trás e me orgulho de tudo que já fiz acontecer. Alguma coisa tem que servir para eu mudar o discurso dentro mim, harmonizar minhas vozes interiores e parar de sofrer da mesma maneira que eu sofria antigamente.

A companhia para os dias de baixa foi o Ai WeiWei Talks with Hans Ulrich Obrist, da Penguis. Eu conheci a obra do AWW numa exposição aqui em Lisboa, na Cordoaria Nacional, e na ocasião comprei o livro. Ficou sentado na estante alguns bons anos até ser devorado em 3 dias. E confesso que li com calma. Tudo que vejo dele me explode a mente, e com este livro não foi diferente. Então às vezes eu precisava de longas pausas para absorver as coisas e me deter um pouco mais nas idéias.
Curiosidade, Ai Weiwei não consome música, consegue apreciar, mas nunca pede por música. Apesar de ser algo que vai contra tudo que sinto na vida, preciso confessar que não é uma surpresa absoluta, chega a ser coerente.
Mas eu não sei se foi por provocação, logo que devolvi este livro para estante, puxei o Révolutions Xenakis, catálogo da exposição que houve na Fundação Gulbenkian alguns anos atrás também aqui em Lisboa. Aliás, se tem algo que os portugueses têm a manha de fazer são exposições. Mas esta leitura me espera para amanhã.
Acho que no fundo foi uma intenção de querer aproximar essas duas figuras tão plurais e facetadas que expandem noções de arte. E confesso que isto é algo que vem me inspirando muito. Nos últimos anos, com tudo que venho lendo e estudando sobre criatividade, eu percebo que quanto mais pensamos o que queremos fazer de maneira estreita, mais dificultamos a sua criação. Acreditem em mim, estou no terceiro ano olhando para um album de metal melódico, 9 músicas ao todo, já escrevi 2 e meia. Cada uma vem sendo um parto de fórceps, e eu me pergunto se precisa mesmo haver tanto atrito entre a caneta e o papel.
E aí vejo esses caras, criando da poeira, dos arcos no teto, e eu me pergunto o que estou deixando passar.
AWW cria, sem se julgar, sem se questionar, e realizou tudo até aqui sem qualquer plano. As coisas foram acontecendo, até mesmo o estádio olímpico Ninho de Passarinho. Tem que haver uma lição aqui, eu sei que tem.
Inspirada nele, resolvi ocupar este blog sem muito projeto, só com o mesmo feeling que me guiava quando eu escrevia no último blog que tive há décadas atrás. E confesso que isto termina sendo uma oportunidade maravilhosa numa internet movida à algoritmo e views. SEO, eu rio na sua cara!! É libertador, porque eu posso dar a liberdade de entender o que vai ser tudo isso que estou levantando sem ter que responder dados de validação. O mundo pode mudar para onde quiser, mas isso nunca vai ser prescindível a artistas.
Mas por hora, parece que o gato encontrou o caminho de casa. Eu vou dormir. Beijos.