Se houver alguma instabilidade por aqui, pode ser por causa de obras. Contratei um designer para dar uma cara melhor para o blog, e aí nos animamos e ele vai reestruturar o resto do site numa segunda fase. Então quem passar por aqui, pode deixar um abraço para o Daniel que ele vai ver.
Havíamos trocado algumas mensagens, mas última quinta-feira tivemos uma chamada para poder expor a ele minhas ideias e necessidades e ele falar do que precisava de mim.
Preciso dizer com alegria que falar sobre essa nova fase e tudo que eu espero disso vem sendo progressivamente mais confortável. Daniel está acostumado a trabalhar com ecommerce, e por isso ficou empolgado com a possibilidade de fazer algo fora do que ele está acostumado, buscando criar liberdade de formatos. O tipo de gente com quem quero remando comigo.
Durante a conversa, enquanto trocávamos impressões e possibilidades, ele solta “é, to vendo no seu blog que você escreve e publica, sem muita preocupação com SEO”. Concordei, é a intenção mesmo, e ele completou “uma pessoa fazendo para pessoas, e não de máquina para máquina”. Me pegou no sentimento, porque definiu perfeita e completamente muito do que me move e como eu quero construir as coisas.
Eu já tive alguns blogs, e até alguns fãs da minha fina literatura. E por causa de algumas merdas que aconteceram no caminho, incluindo uma delas que eu namorei, me afastei, perdi o tesão. E olhando para trás, eu me dou conta do quanto senti falta. E as saudades não são só de escrever, publicar, me surpreender com um comentário ou reação, é também de uma internet que já não existe mais, em que “viralização” tinha outro peso, mas sobretudo de uma fase em que as coisas tinham menos formatos, a rede era mato, para a gente abrir a clareira que achasse que vislumbrasse. E havia mais espaço para uma expressão mais genuína, fazendo o que sabia e como sabia. Eu não precisava de um formato ou números para justificar ou validar o que estava fazendo. A gente fazia e pronto, tava feito.
E num momento em que eu tenho um mundo para estudar, horas de entretenimento de qualidade para produzir, mais músicas para escrever, cantar e estudar, eu me pego aqui num blog obscuro escrevendo sem saber se algum dia isso aqui vai conseguir sequer dobrar a esquina. Ai Weiwei me inspirou, nem tanto pelo volume de visitações diárias que bateu quando escrevia em seu blog, mas mais por “como um artista ele pode usar todo o tipo objeto ou meio”, nas palavras do Hans Ulrich Obrist. Corri os olhos por esta frase umas 4 vezes seguidas quando a li. E eu quero isso para esta nova fase, mais ainda, é uma noção de que acho que preciso muito. Até aqui, eu vim sendo uma cantora que estudou e performou música de outras pessoas, o que não há nada de errado nisso, mas esta formatação, e também pressão em entregar algo digno de nota quando o mundo já tem um conjunto de idéias muito rígidas sobre como as coisas devem ser é castradora, e acho que todos os artistas lidam com ela hoje mais do que nunca. Eu passei a minha vida olhando para o espaço que eu queria ocupar e me moldando para caber nele. Hoje eu tenho plena consciência de que nunca coube em lugar nenhum, fui estranha, esquisita, e várias vezes inadequada onde quer que eu fosse, no que eu decidisse fazer. Mas Eudoxia pede outras coisas – pede não, exige. Eu olho para o que eu enxergo para esta fase e nem eu entendo tudo que eu vejo; é um mundo, e leva tempo para ser percebido. Então me despir da mesma visão estreita que me trouxe até aqui é um exercício necessário, e o caminho para eu entender que artista eu sou, e deixar para os outros decidirem se querem ver ou não.
Escrever aqui é puxar o fio da meada que ficou lá atrás, olhar para aquela jovem que se afastou da escrita e dar espaço para ver o que sai. O curioso é que muito do que venho praticando, estudando e buscando nos últimos anos não é me tornar alguém diferente, mas ser de novo aquilo que eu tenho para ser. A decisão de cada um não está sob meu controle, então não vale mais gastar energia com isso.
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