Dolly se foi.
Que golpe a morte dela. Que perda imensa! Desde que li a notícia ontem à noite, uma tristeza quieta pousou no meu ombro.

É difícil falar dela, porque ela nunca coube em nenhum rótulo, e tudo que fez subiu níveis de excelência. Escreveu mais de 3000 canções que sempre são uma verdadeira aula de songwriting. Mas se for falar de sua carreira como cantora e compositora, é preciso lembrar que a multi-instrumentista também era atriz, empresaria e filantropa. Se for falar das 11 vezes que ganhou o Grammy, não podemos esquecer das inúmeras nomeações aos Tony, Emmy, Oscar e Globo de Ouro, além de todos os outros. Se formos falar que era uma cantora country, não podemos esquecer que fez parceria com grandes nomes do pop e do rock, oferecendo alguns dos momentos mais emblemáticos da história do entretenimento. Se for falar de sua fortuna de 450 milhões, é preciso dizer que ela escolheu não ser uma bilionária, concedendo direitos trabalhistas a seus funcionários, distribuindo livros infantis,fazendo doações para vítimas de desastres, financiando hospitais infantis, pesquisas de vacinas e doenças infecciosas.
Seu visual sempre deixou claro que não era uma mulher possível de ser ignorada. E diante de um mundo conservador e moralista, ela orgulhosamente se inspirou em uma prostituta de sua comunidade quando era criança – “a mulher mais linda que já vi” – e nunca baixou o tom da sua aparência para que deixasse os outros confortáveis ou para conseguir seu respeito, sempre se fazendo maior do que qualquer crítica e respondendo a elas com graça, elegância e muito bom humor.
A quarta filha de 12 irmãos, nascida numa família extremamente pobre no Tenesse, filha de um homem analfabeto, marcou seu nome no mundo de diferentes formas, em diferentes campos, mas não importa para qual faceta sua olhamos, vemos sempre as grandezas de seu talento e generosidade em tudo que tocou, e seu olhar humano e gentil.
Num mundo de Elon Musks, ficamos sem nossa Dolly. O vão que fica é imenso.
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