Sexta-feira, e o maior cansaço que eu tenho é causado pelo sofrimento que a obra atrás do meu prédio está impondo à minha vizinhança e, naturalmente, a esta que vos escreve. Foram dois dias de uso contínuo do martelete, destruindo concreto e o resto de sanidade que se pode ter no século XXI. Eu tentei fugir, sair de casa, mas acreditem, aquilo me perseguiu como se eu lhe devesse dinheiro. Estou orgulhosa em dizer que não xinguei nem meu cão nem meu marido, de resto, são todos uns filhos disso ou comedores daquilo.
Mas não descontar na família foi apenas um dos meus êxitos esta semana. Porque tudo o que planejei fazer foi feito. Pode parecer pequeno, mas tem tempo que venho buscando e construindo me sentir assim. Nos últimos anos eu fiquei muito abatida por um quadro ansioso-depressivo, e eu sentia que não fazia progresso. Foram meses a fio sentindo que as coisas não mudavam, ou quando mudavam era a troco de muita concentração e insistência, o que terminava me deixando exaurida logo em seguida. E se sua energia está baixa, a sua confiança está alguns palmos abaixo.
Muito mudou quando eu comecei a tratar a endometriose que me acompanhava há anos e me consumia cada dia mais. Então olhar para a minha programação da semana e ver que fiz tudo, meus exercícios de songwriting, minha rotina de reeducação corporal, as aulas com meus alunos, os emails que tinha que mandar, a água nas plantas, os passeios com o Jimi Neto, meu encontro com artista, fora leitura e estudos de música, aah, que alívio! Aliás, engrenei no Gilgamesh, com versão de Pedro Tamen pela Vega, editora portuguesa.
Para coroar, chegou meu certificado do Música, Copyright e Tecnologia! Eu consegui! E achei tão bonito que resolvi imprimir e botar numa moldurinha acima do Vitrúvius.
Eu recebi ele por email, com uma mensagem super fofa da Guta (Braga, mentora do curso e melhor pessoa) como não tinha como ser diferente. E me deu uma leve incomodada me deparar com o fato de que ia ser só mais um dos infinitos documentos guardados na núvem que nunca vão ganhar um papel. Então tava com a idéia de imprimi-lo, mas ainda pensando se tenho parede para tudo o que eu quero pendurar. Mas aí eu recebi uma oferta que não tinha como recusar. Fui convidada pela própria Guta a ser uma das coordenadoras, junto com alguns colegas desta jornada por quem só tenho admiração! “Gostaria de ter vocês comigo” foram as palavras dela ao falar do time que ela está montando. Chorei, confesso. E só com este convite eu me dei conta do vazio que tinha ficado com o fim das aulas. Se só de olhar pro meu nominho no meu certificado eu já tava com idéia de imprimi-lo, depois disso a ideia ganhou vontade. Neste caminho de ser artista, a gente tá sempre buscando as pessoas para nos orientar e construir conosco, e infelizmente é muito mais comum encontrar gente que vai prometer tudo e entregar nada, ou que vai quebrar ao meio e jogar terra em todo progresso que você estava fazendo, e sempre achar uma forma de se ausentar das responsabilidades. Queria ter encontrado menos esse tipo de pessoa, eu juro. E aí surgiu o MCT, com um curso incrível e um ambiente maravilhoso! É um raio de sol depois de muita chuva me ver com pessoas dispostas e ávidas para construir as coisas e também levantar que está à sua volta. Se eu afinal caibo em alguma tribo no mundo, é esta.
Sim, eu sei, meu sono que já é um gato vadio ficou ainda mais imprevisível nestes últimos 3 meses, e sabe-se lá o que vai ser encarado nesta missão. Mas isso também vai ser levado em questão e vai dar tudo certo. Tem avanços que valem algumas horas de sono. Meu certificado não é só um atestado de que eu cumpri 80 horas/aula (com pontos extras por ser de madrugada), é também um marco de uma história que está sendo construída. Eu sei que nos anos futuros, vou olhar para trás e me dar conta do quanto o MCT foi decisivo nessa jornada, e todas as oportunidades que ele me abriu os olhos para enxergar.
Se você se animou, saiba que agora estão abrindo inscrições para a próxima turma, e que o MCT também tem ações afirmativa. Se seguirem o site conseguem fazer a inscrição, mas se tiverem qualquer dúvida, podem escrever para a senhora doutora coordenadora aqui que eu ajudo no que puder.
E amanhã, rumo ao Alentejo, fugir desta loucura e passar horas no estúdio, The Nest. Espero escrever de lá. Beijos
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