Um problema que eu queria

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Eudoxia — seleção para leitura

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Esta semana me surpreendeu com uma coisa a mais para resolver: eu preciso contratar um plano de automação de emails.

Desde que comecei a minha mailing list em agosto de 2019, eu venho usando o plano gratuito do Mailchimp. Vem me servindo bem, envia as coisas, me dá umas informações úteis, e tudo na camaradagem e gentileza. Nesses 7 anos, nunca tinha pagado nada.

Eu no conforto da despensa gravando as versões em áudio.

Eu comecei enviando textos sobre voz, nem tanto sobre técnica, mas mais sobre filosofia vocal, se posso chamar assim. Cantar tem técnica, fisiologia, acústica e mais uma pá de coisa, mas acho mesmo que as pessoas em geral subestimam o quanto os nossos resultados vocais são frutos diretos de como nos percebemos e nos ocupamos. A voz carrega todas as marcas das pressões que colocamos em nós mesmos e era mais disso que eu falava. Eu escrevia, e disponibilizava suas versões gravadas no perfil do Soundcloud. Para isso, eu improvisava um isolamento acústico com cobertores na despensa do antigo apartamento do meu namorado na época. Na imagem, eu estou em posição de passageiro de classe econômica, usando o Blue Yeti que havia ganhado dele de presente de natal, junto com meu MacBook de 3 gerações atrás, apoiados num escadote da Ikea. As gravações não podiam demorar muito porque senão acabava o oxigênio do cubículo e, como você pode imaginar, isso afeta a narração.

Olha para esta foto me traz lágrimas aos olhos, e não pelas dores nas costas e joelhos que as sessões de gravação me renderam. É por olhar por tudo que esses 7 anos me trouxeram. O namorado da época virou marido, e três meses depois nos mudávamos daquele apartamento para onde moramos hoje, onde fica The Hive, o meu estúdio em Lisboa; além do contar com o já conhecido estúdio no Alentejo, The Nest. Meus equipamentos são melhores também, naquela época eu só tinha um teclado cedido por um generoso colega. Hoje, ainda, apesar de ter reformulado totalmente minha compreensão e minha técnica vocal, eu entendo que muitas das perguntas que eu fazia e das direções que eu apontava naquela época não estavam erradas. Eu não tinha terminado o mestrado, e nem sonhava em compor. A moça sorridente da foto não fazia idéia quem era Eudoxia.

Corta para ontem, eu fui checar como estamos e descobri que além de ter ganhado 72 novos inscritos nos últimos 90 dias, eu ultrapassei o limite de contatos permitido no plano gratuito. O que significa que enquanto eu não atualizar o plano, eu sequer consigo enviar novas mensagens por lá. Enquanto isso, eu fico aqui querendo festejar minha mailing estar momentaneamente bloqueada e ter uma mensalidade nova para pagar! Ser artista é realmente abraçar o inesperado, mas às vezes parece que o inesperado tem uns toques de ironia. Eu sinceramente acho adorável.

Eu podia resolver isso em dez minutos ou menos, clicar no botãozinho “escolher plano” e passar no cartão. Mas a minha cabeça não aceita soluções rápidas e caminhos apontados. Agora eu me pergunto se o Mailchimp é mesmo o melhor serviço para mim ou se não teria outro que me atenderia melhor nos meus planos de dominação mundial. Para os próximos dias, a missão é achar umas horas para uma pesquisa das opções de mercado e escolher qual vai ser o parceiro nos próximos anos. Naturalmente que o Mailchimp já tem vários pontos na frente, 9 anos de fidelidade e parceria, o que significa que não vou precisar me readaptar a outra interface. Dessas coisas eu gosto, chama no sentimento.

Mesmo antes de ser sugada no túnel do tempo, descobrir que a mailing estourou o plano já tava me enchendo de alegria. Não que eu vá amar fazer uma pesquisa de serviços de email e comparação de preços – dos inúmeros talentos que tenho na vida, este definitivamente não é um deles – mas chega num momento muito especial, em que eu venho estudando com gente que realmente sabe, meu horizonte vem expandindo e eu começo a ter uma visão mais clara e ensolarada sobre quais caminhos trilhar para construir minha carreira, e mais ainda, como caminhar por eles. É uma boa confirmação de que, apesar do que algumas vozes na minha cabeça insistem em dizer, alguma coisa eu devo estar fazendo certo. Num universo de números astronômicos que é a internet, em que pessoas acumulam milhares, às vezes milhões, de seguidores, eu busco sempre não me esquecer de que cada número importa, cada novo marco é importante, e sobretudo nunca deixar de ser grata por ter mais gente se juntando a mim no que quero construir.

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